MANIFESTO
Estou na internet e no universo da computação desde o início dos anos 2000, quando tinha apenas nove anos de idade. A transformação e o impacto que toda essa evolução causou em nossas vidas são impressionantes.
No entanto, nos últimos anos, a obsessão e a busca incessante por otimização, performance, velocidade, sincronicidade e pelo consumo cada vez mais agressivo de informação, produtividade e comunicação têm ido muito além das necessidades humanas. Estamos ultrapassando nossos próprios limites físicos, comprometendo nossa saúde mental e sacrificando nossa qualidade de vida.
O desperdício de recursos, a busca desenfreada por lucros e a comercialização de uma dopamina barata em troca de publicidade agressiva e invasiva passaram a ocupar uma parcela enorme da vida das pessoas. Vivemos em uma sociedade que tenta se adaptar a essa violência intelectual e visual para seguir em frente, normalizando uma falsa comodidade que, na prática, nos transforma em matéria-prima de um produto.
Redes sociais, governos e grandes empresas têm falhado em assumir suas responsabilidades, frequentemente sob a justificativa de que tudo ainda é novo demais para ser devidamente regulamentado ou adaptado. Enquanto isso, bilhões de pessoas se tornam alvo de sistemas projetados para capturar sua atenção, seus hábitos e seu tempo.
Não entregue seu tempo, seus dados e sua saúde à computação. Use a tecnologia com consciência, responsabilidade e senso crítico. Priorize a si mesmo.
Não existe comodidade que valha o controle sobre quem você é, sobre o seu tempo, os seus pensamentos e a sua capacidade de viver e fazer o seu melhor.